Qual a importância do ato de ler? Que efeitos a leitura pode causar à vida de uma pessoa? A leitura deve ser um ato solitário ou compartilhado? Essas e outras questões se fazem presentes quando o assunto envolve a leitura em toda a sua dimensão.
“Vamos fazer do Brasil um país de leitores”
O slogan fez parte de uma campanha de difusão da leitura no ano de 2002; foi divulgado em escolas através de cartazes (inclusive um deles transformado em quadro e colocado na biblioteca de minha escola). A crítica é: como formar leitores em um país marcado pela carência cultural e pela dificuldade econômica em adquirir livros? Pessimismos à parte, trabalhemos com os fatos. A realidade da leitura no Brasil mostra uma grande deficiência na formação de leitores; atualmente, em nosso país, há um número significativo de analfabetos funcionais – prova disso é o resultado do PISA/2000 e da PROVA BRASIL/2005, que apontaram o nível baixo dos alunos em interpretação textual, ou seja, alunos que lêem, mas não conseguem abstrair a mensagem do texto.
É certo que vários fatores colaboram para esse panorama: famílias de não leitores, custo alto dos exemplares, escassez de bibliotecas, acervos desatualizados e o papel da escola, em especial o do professor, no trabalho com a leitura em sala de aula. Este último, aliás, tem sido alvo de críticas de diversos autores, pois para muitos especialistas, a leitura vai mal porque a escola está mal. Em muitas não há o espaço privilegiado para se realizar a leitura: a biblioteca; quando há tal espaço, conta-se com acervos desatualizados e profissionais mal preparados ou inexistentes.
Ainda referindo-me à escola, constata-se uma maior preocupação em incentivar a leitura aos alunos da educação infantil e séries iniciais com cantinhos da leitura, hora do conto, etc, o que é muito válido, pois é através dos primeiros contatos que a criança pode se inserir no mundo fantástico da leitura e daí vai, aos poucos, descobrindo outras leituras e se tornando um sujeito leitor. No entanto, verifica-se que todo esse trabalho de inserção ao mundo da leitura prazerosa se esvai do 5º ano em diante, quando os professores começam a adotar como atividades fichamentos de leitura, tornando o ato de ler meramente obrigatório, com histórias muitas vezes desinteressantes para os alunos.
O papel de mediador desempenhado por nós professores não é tarefa fácil, aliás, esse trabalho não deve ser tarefa exclusiva do professor de Língua Portuguesa, em todas as disciplinas ele deve ser desenvolvido. A função de cada um de nós, professores e professoras, independente da área curricular, é promover a leitura de textos que devam ser aprofundados para que todos vivenciem o encantamento da descoberta de sentidos trazido pela leitura, dialogando com a realidade e formando para a cidadania. Seguindo o pensamento de Paulo Freire (1988), quanto mais um povo se torna consciente de sua história, mais facilmente perceberá as dificuldades socioeconômicas e culturais da realidade em que vivemos e, conseqüentemente, estará apto para o enfrentamento e a libertação.
Autora: Márcia Patrícia Barboza de Souza
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